Vinícius: as palavras e a música

foto_introComo reagimos à perda de alguém que amamos, a uma vileza, a uma ameaça imprevista, a um reencontro inesperado?  Alguns de nós têm mais inteligência emocional, são mais capazes de perceber uma névoa que, de repente, ensombra os olhos do parceiro, de notar uma pergunta insólita, um impedimento súbito, como estarão mais atentos ao sorriso duma criança, ao voo de uma gaivota. Serão melhores semiologistas. Mas não se pode analisar a sinceridade dos sentimentos com métodos de polícia científica, seríamos às vezes confrontados com práticas abjectas. O que esconde uma vida a dois? Vale a pena conhecer pormenores sórdidos? Que cada um responda por si.

A perspectiva poética da vida é uma âncora. É ela que nas piores circunstâncias é capaz de nos fazer olhar o que quer que seja numa óptica de generosidade e beleza, mesmo sem perder a noção da realidade. Por isso nos temos socorrido de grandes poetas que nos “purificam” e porque, como verdadeiros artesãos da língua, são capazes de exprimir mais apropriadamente aquilo que queremos transmitir. Porém, a justeza das palavras não tem de ser lírica. As vilanias merecem um léxico apropriado, que não quer dizer grosseria. A ironia e o sarcasmo são armas temíveis, nisso Eça era mestre.

A prosa de Vinicius não é amarga. Triste por vezes, mas sem deixar transparecer qualquer ressentimento, pelo que, “de repente”, desapareceu… É, sobretudo, a exaltação daquilo que foi bom no momento em que existiu, ou triste noutro exacto instante. São imagens vivas de emoções em que não há um  rosto único, uma “musa”; são pinceladas geniais, como se fossem fotogramas, de uma vida intensamente sentida, que fala das coisas mais simples da existência e que são universais . Vinicius, sedutor, boémio, mestre da rima e do soneto. Por isso, não faz sentido escrever palavras desencantadas, quando o “Poetinha” sempre nos alertou para os perigos desta vida e sempre soube encontrar o tempo certo para cada ciclo. Vinicius uma referência de vida. Não há lugar para azedume, o mar é já aqui!

Homenageamos Vinicius de Moraes, como grande poeta da língua portuguesa (poeta dos afectos, clássico e romântico, se assim se pode classificar) e, simultaneamente, por ter estado na origem de um dos movimentos mais fecundos da música popular brasileira, conjugando a beleza dos sons e ritmo com a singeleza dos poemas e até ser sido capaz de tornar populares alguns dos seus mais belos sonetos. Além disto, foi diplomata, crítico de cinema, dramaturgo, jornalista e não arregimentado à Ditadura que, em 1968, lhe pôs fim à carreira diplomática, aposentando-o compulsivamente…

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Em Vinicius encontramos dos sonetos mais melancólicos e graves da língua portuguesa, ele que foi um amante por excelência da vida

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que recordamos nos shows, tripulando uma garrafa de whisky, empoleirado num eterno cigarro, cantando, declamando os seus poemas e apadrinhando as suas cantoras (ou namoradas) e os seus músicos….Casado 9 vezes (“Eu possa me dizer do amor (que tive):/ Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure.)

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Outros grandes poetas da língua portuguesa glorificaram a mulher com a delicadeza e paixão de Vinicius. David Mourão-Ferreira, por exemplo, que foi Professor da Faculdade de Letras de Lisboa, jornalista, autor de programas de Televisão e Membro do Governo, depois do 25 de Abril. Ambos declamavam excelentemente, os versos de ambos foram cantados com ótimas partituras, pelas melhores vozes. David tinha o auditório cheio de alunas presas pela sua voz, cultura e charme. Era um cavalheiro.

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Vinicius era diferente. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais. Estudou Língua e Literatura Inglesa na Universidade de Oxford. Serviu no Corpo Diplomático, obedecendo às regras protocolares (esteve colocado em Los Angeles, Montevideu, Paris e Roma), mas à medida que o tempo foi passando, “soltou-se”.

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Com Tom Jobim, João Gilberto, Toquinho, Baden Powell e Carlos Lyra, fundou a Bossa Nova, cuja batida revolucionou a música brasileira.

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Quando depois dos quarenta anos muitos se resignam, Vinicius incendiou Copacabana e Ipanema e renasceu mais boémio, vivendo o que os poetas aspiram e não conseguem – os sonhos.

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Vinicius carioca, vagabundo, mas poeta clássico nos seus sonetos (De repente do riso fez-se o pranto/ Silencioso e branco como a bruma/ E das bocas unidas fez-se a espuma/ E das mãos espalmadas fez-se o espanto…// Fez-se do amigo próximo o distante/ Fez-se da vida uma aventura errante/ De repente, não mais de repente.)

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Procura-se um amigo//Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.//Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer

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“…Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.//Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

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“É claro que a vida é boa/ E a alegria, a única indizível emoção/ É claro que te acho linda/ Em ti bendigo o amor das coisas simples/ É claro que te amo/ E tenho tudo para ser feliz/ Mas acontece que eu sou triste…”

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A sua associação a talentos, que ainda por cima estavam em início de carreira, construindo para eles letras de rima fácil, valeu-lhe a censura dos académicos fiscais das regras literárias. Dos críticos escreveria Vinicius: “são sujeitos que têm mau hálito no pensamento”

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“A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.// A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. // O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre. “

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Eu sei e você sabe/ Já que a vida quis assim/ Que nada nesse mundo levará você de mim/ Eu sei e você sabe/ Que a distância não existe/ Que todo grande amor/ Só é bem grande se for triste/ Por isso meu amor/ Não tenha medo de sofrer/ Que todos os caminhos/ Me encaminham a você.//Assim como o Oceano, só é belo com o luar/ Assim como a Canção, só tem razão se se cantar/ Assim como uma nuvem, só acontece se chover/ Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer/ Assim como viver sem ter amor, não é viver/ Não há você sem mim/ E eu não existo sem você!

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No final dos anos 50 o Rio de Janeiro era ainda a capital do Brasil, presidido por Juscelino e vivia uma época florescente. Musicalmente, porém, os jovens músicos sentiam-se estagnados. Quando surgem jovens como Carlos Lyra, Tom Jobim e outros que se aglutinam à volta dum poeta consagrado como Vinicius, surge um Samba que era Bossa Nova de adjectivo, mas que passou a substantivo. Foi o início da MPB. Temas clássicos como Desafinado, Chega de Saudade, Só Danço Samba, Garota de Ipanema, Insensatez, Eu sei que vou te amar, Tarde em Itapoã tiveram a assinatura de Vinicius.

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Além das parcerias já referidas, Vinicius teve outros relacionamentos artísticos com actores, músicos e intérpretes como foi o caso de Nara Leão, Tamba Trio, Pixinguinha, Elsa Soares, Dorival Caymmi, Quarteto em Cy, Elis Regina, Xico Buarque, Edu Lobo, Maria Creusa, Miucha, Maria Bethania, Gilberto Gil… Tudo isto enquanto ia publicando a sua obra literária…

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“As muito feias que me perdoem/ Mas beleza é fundamental. É preciso/ Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso/
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture/ Em tudo isso (ou então/ Que a mulher se socialize/ elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa)./ Não há meio-termo possível. É preciso/ Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito/ Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto/ Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora./ É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche/ No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso/ Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas/ Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços/ Alguma coisa além da carne: que se os toque/ Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos/ Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro/ Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e/ Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem/ Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então/ Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca/ Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos/ Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas/ No enlaçar de uma cintura semovente./ Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras/ É como um rio sem pontes. Indispensável/ Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida/ A mulher se alteia em cálice, e que seus seios/ Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca/ E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas./Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral/ Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!/ Os membros que/ terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas/ E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem/ No entanto sensível à carícia em sentido contrário./ É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio/ Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)/ Preferíveis sem dúvida os pescoços longos/ De forma que a cabeça dê por vezes a impressão/ De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre/ Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos/ Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face/ Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior/ A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras/ Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de/ preferência grandes/ E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e/ Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão/ Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta/ Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros./ Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente/ Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber/ O fel da dúvida. Oh, sobretudo/ Que ela não perca nunca, não importa em que mundo/ Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade/ De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma/ Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre/ O impossível perfume; e destile sempre/ O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto/ Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina/ Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição/ Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.”

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“Eu deixarei que morra/ em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces/Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto./ No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida/ E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz./ Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado./ Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados/ Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada/ Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado…,

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“Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face./Teus dedos/ enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada./Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite./ Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa./ Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço./ E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono/ desordenado./ Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos./ Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir./ E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas./Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.”

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“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. /Não percebem o amor que lhes devoto/ e a absoluta necessidade que tenho deles//A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, /enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.//E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, /mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos ! //Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos /e o quanto minha vida depende de suas existências … /A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. /Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. //Mas, porque não os procuro com assiduidade, /não posso lhes dizer o quanto gosto deles. /Eles não iriam acreditar….”

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“Quando a luz dos olhos meus/ E a luz dos olhos teus/ Resolvem se encontrar/Ai que bom que isso é meu Deus/ Que frio que me dá o encontro desse olhar / Mas se a luz dos olhos teus/ Resiste aos olhos meus só p’ra me provocar /Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar/ Meu amor, juro por Deus/ Que a luz dos olhos meus já não pode esperar/ Quero a luz dos olhos meus/ Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará/ Pela luz dos olhos teus/Eu acho meu amor que só se pode achar/ Que a luz dos olhos meus precisa se casar.”

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Lisboa foi inevitavelmente destino onde Vinicius peregrinou e onde tinha muitos amigos. Aqui soube da sua exoneração compulsiva, em 1968, pelo governo de Costa e Silva. Nesse mesmo ano, a caminho de Roma, onde ia passar o Natal, teve uma festa de despedida em casa de Amália, onde estavam também presentes David Mourão-Ferreira, Natália Correia, J C Ary dos Santos e outros, além de um microfone escondido numa jarra de flores. Dessa festa resultaria um disco em que se misturavam fado, samba e poesia.

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Homenagear um escritor é, em primeiro lugar, lê-lo. No caso de Vinicius é também celebrar o seu gosto pela vida, de alguém que o exprimia de forma torrencial – da sensualidade da mulher, dos seus mistérios, dos acasos, da entrega, que apontava os pormenores mais insignificantes e de como era necessário estar atento aos riscos de a perder.

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Amo-te tanto meu amor… não cante/ O humano coração com mais verdade…/Amo-te como amigo e como amante/ Numa sempre diversa realidade.//Amo-te enfim, de um calmo amor prestante/ E te amo além, presente na saudade./ Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.//Amo-te como um bicho, simplesmente/De um amor sem mistério e sem virtude/ Com um desejo maciço e permanente.//E de te amar assim, muito e amiúde/ É que um dia em teu corpo de repente/ Hei-de morrer de amar mais do que pude.

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“São demais os perigos dessa vida/ Para quem tem paixão, principalmente/ Quando uma lua surge de repente/ E se deixa no céu, como esquecida //E se ao luar, que atua desvairado/ Vem unir-se uma música qualquer/ Aí então é preciso ter cuidado/ Porque deve andar perto uma mulher//Uma mulher que é feita de música,/ Luar e sentimento, e que a vida/Não quer, de tão perfeita// Uma mulher que é como a própria lua/ Tão linda que só espalha sofrimento,/ Tão cheia de pudor que vive nua.”OLYMPUS DIGITAL CAMERA

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Poética: um post-scriptum em soneto