Sentir Lisboa

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As cidades fazem parte da vida pessoas.

Herdámo-las, modificamo-las, adaptamo-las às nossas necessidades. Desempenham funções críticas, consoante as suas dimensões. Porém, esses objectivos são frequentemente ignorados ou a sua concretização fica longe do possível. As cidades não são só amontoados de edifícios onde mora gente, com ruas e praças com nomes que evocam pessoas e factos relevantes, automóveis e outros meios de transporte, se oferecem serviços, manifestações culturais ou se praticam actividades de natureza comercial, desportiva, industrial, etc. Elas têm de ter em conta o lazer e o bem-estar dos cidadãos, revelar-lhes a sua beleza natural, facilitar-lhes as deslocações, acautelar-lhes a segurança, impedir a especulação imobiliária que afaste as novas gerações para dormitórios periféricos e acabe por as desertificar.

À medida que o tempo passa, as cidades mudam, mas têm de preservar o essencial – as pedras, os edifícios que contam História, património cultural dos povos. Deixar degradar um monumento, um edifício classificado é alienar a memória colectiva, a nossa identidade.

Lisboa é um exemplo gritante. Tem-se autorizado a construção de edifícios que nada têm a ver com a traça arquitectónica do local onde estão inseridos. A recuperação de imóveis antigos é insuficiente. Sabe-se o estado de ruína em que se encontram edifícios históricos, como a Sé. E as licenças de construção que violam os planos pré-estabelecidos?

Mas não é de política que quero falar e lembrar. É de Lisboa, do amor por Lisboa. Da sua luminosidade, do Tejo, do seu centro histórico, dos seus contrastes, do que ela revela, do seu espírito e da sua vida, daquilo que é flagrantemente português. E que temos obrigação de não deixar descaracterizar mais.

FM

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